Quinta Municipal de Subserra Associação de Turismo Militar Português - ATMPT

Quinta agrícola, com produção local de vinho, composta por inúmeros espaços recreativos, culturais e históricos que não vai querer perder. Faça uma visita pelo encantador património da Quinta Municipal de Subserra e descubra todas as curiosidades deste local.

QUINTA DE SUBSERRA

PROPRIEDADE E INTERVENÇÕES NO PATRIMÓNIO DA QUINTA
De acordo com as fontes escritas, em 1633, foi o capitão D. Diogo da Veiga quem institui o Morgadio de S. Severino e – segundo lápide existente na capela da quinta – terá mandado construir a 1ª capela da povoação e inicia a construção da quinta.
Ainda no século XVII, a sua filha, D. Bárbara de Vasconcelos, manda construir a capela dedicada a S. José, bem como o palácio de S. severino (este orago, com o decorrer do tempo, terá deixado de estar associado ao palácio).
A Quinta chega entretanto à posse do seu sobrinho, D. João Roxas de Azevedo, responsável, já no século XVIII, pela construção do jardim de buxo e da gruta de embrechados que funcionará como casa de fresco, espaços que iremos entretanto visitar.
O terramoto de 1755 terá causado alguns danos na quinta, embora não se saiba em pormenor quais foram.
Chegamos, entretanto, à filha de D. João Roxas, D. Maria Isabel de Lemos e Roxas, uma das protagonistas da obra do Dr. Pedro Beltrão, As Duas Condessas, a qual conjuntamente com o seu segundo marido, D. Manuel Inácio Martins Pamplona (que viria a receber o título de 1º conde de Subserra) é responsável pela reconstrução da quinta, aspeto que está documentado na placa que podemos observar numa das paredes dos tanques de recolha da água da nascente.
A quinta manter-se-ia na propriedade da filha de D. Maria Isabel, D. Maria Mância (que herdaria o título de condessa de Subserra do seu padrasto) e depois da sua neta, D. Maria Isabel de Lemos Roxas Saint-Léger, marquesa de Rio Maior, que nos traz aqui hoje e que nos deixou em legado as suas Memórias que são um importantíssimo documento caracterizador daquela época e dos seus costumes e da própria quinta de Subserra. Sabemos que esta quinta foi então um ponto de convívio por excelência da alta nobreza do tempo e mesmo objeto de visitas régias.

ZONA EDIFICADA DA QUINTA
Integrada numa extensa área agrícola, a zona edificada da quinta apresenta-se implantada segundo um eixo longitudinal, onde reconhecem 4 espaços distintos:
- o jardim de buxo articulado;
- o terraço com guarda em balaustrada de cantaria e lanços retos de escadas nos extremos;
- o edifício principal e a capela, localizados num plano superior, separados por dois pátios a diferentes cotas e ligados entre si por escada com lanço único em cantaria.
- uma última zona, separada  dos edifícios principais, pelo muro com gradeamento que podemos observar, as várias estruturas complementares à quinta, como o lagar, a abegoaria e o casario destinado aos trabalhadores.
 

PALÁCIO
Este Edifício apalaçado corresponde à reconstrução de que foi alvo no século XIX, por ordem de D. Inácio Pamplona e sua mulher.
De planta retangular, possui 3 pisos (estando um deles parcialmente enterrado e apenas visível no seu alçado principal) onde se dispõem vãos a ritmo irregular.
A fachada principal, sobranceira ao jardim, apresenta uma sucessão de janelas de peito que são encimadas, no piso nobre, por janelas de sacada servidas por varandins e guarda com pinhas nas extremidades.
Mas é na fachada a tardoz que encontramos a entrada principal de acesso ao palácio, por onde precisamente entraremos para o visitar.   

CAPELA
Mandada construir, como já vos disse, por D. Bárbara de Vasconcelos, e tudo indica reconstruída no mesmo momento em que o palácio o foi, destaco no seu interior os seguintes elementos patrimoniais:
- em primeiro lugar, a placa que podemos observar do lado direito da entrada da capela, no qual são mencionados os vários proprietários;
- por outro lado, os painéis azulejares seiscentistas que cobrem as paredes interiores, a designada azulejaria de tapete/padrão, característica da produção portuguesa do século XVII, cujo efeito se aproxima do que era conseguido com os tecidos ornamentais ricos. Os motivos que aqui se observam são algo incomuns.
- ainda, os túmulos de D. João Roxas de Azevedo e sua mulher, D. Maria Josepha de Contreras .
- por fim, a tela pintada a óleo pelo pintor Bento Coelho da Silveira. Nomeado pintor régio em 1678, por morte de Domingos Vieira, que ocupava o cargo até então, a partir dessa data a sua atividade multiplica-se e estende-se inclusive até à Índia e ao Brasil.
Esta pintura, realizada certamente no último terço do século XVII, naquele que será o período mais importante da sua produção artística, representa “Os Desposórios da Virgem”, ou, se lhe quiserem chamar, “Os Desposórios de São José”.
A sua forma em semicírculo confirma-nos que a obra foi concebida para o local onde o ainda hoje ele permanece, no muro da capela-mor deste edifício.
Observamos nele as figuras dispostas simetricamente - de São José ao centro, da Virgem Maria à direita, e do sacerdote à esquerda, de perfil para o espetador.
No canto inferior esquerdo, vê-se a figura de um pequeno acólito. Com o círio aceso na mão esquerda e com o braço direito que repete o movimento do sacerdote. Esta figura acentua a profundidade da composição, marcando o eixo diagonal e ascendente que termina nas cabeças dos acompanhantes da Virgem, à direita.
Na parte superior, Bento Coelho pintou uma glória de anjinhos, dois dos quais se preparam para colocar coroas de flores nas cabeças dos noivos.
A pintura mostra assim o momento solene da apresentação pelo sacerdote do anel de noivado, símbolo do nodus indissolubilis (que significa nó indissolúvel).
De acordo com a tradição iconográfica, os acompanhantes – que servem igualmente de testemunhas – colocam-se atrás dos noivos, os homens à esquerda, as mulheres à direita.
São José leva o célebre bastão florido, que nos remete para a ideia de que (segundo Tiago de Voragine, arcebispo de Génova e autor da obra “Legenda Aurea”, um dos mais famosos trabalhos hagiográficos da Idade Média) seria eleito para esposo da Virgem maria o pretendente de cujo bastão brotassem flores, o que viria a acontecer com o idoso José, para grande despeito dos restantes concorrentes.

JARDINS
Os jardins da Quinta de Subserra desenvolveram-se segundo patamares. O jardim principal, assume claramente as características do jardim de buxo de influência italiana, como era próprio da época, apresentando uma estrutura ortogonal, com lago oval ao centro, com repuxo e taça, e canteiros delimitados por duplas sebes. A presença assimétrica de algumas espécies arbóreas denota as alterações que o espaço foi sofrendo na sua organização. De notar a conversão do jardim em pomar de ameixoeiras por um casal de franceses, proprietário da quinta entre 1941 e 1945, bem como o projeto de reconstituição do jardim de Caldeira Cabral, em 1950. 
Através do caminho que percorre longitudinalmente este jardim principal, acedemos a um outro espaço, a uma cota mais elevada, onde poderemos observar um tanque e uma fonte de embrechados.
TANQUE – Conhecido como tanque dos peixes, foi já em meados do século XX, pela ação do seu proprietário João Guedes de Sousa, o seu revestimento azulejar e adaptação a piscina.
FONTE – Trata-se de uma fonte de embrechados com taça rocaille assente no pano murário de um edifício de dois pisos. “embrechado” relaciona-se com o do “rustic grotto”, que se expande desde meados do século XVI pela França, Inglaterra, Alemanha e Flandres e que irá influenciar mais diretamente a iconografia dos embrechados portugueses.
O termo “embrechado” ou “emberchado” surge pela primeira vez num dicionário português, no início do século XVIII, sendo relativo a “pedrinhas, conchas, bocados de cristal e de outras matérias com que se fazem rochas e grutas nos jardins”, definição muito precisa que denota o conhecimento do tema da gruta de feição rústica como um dos traços peculiares na construção de jardins.
As conchas são normalmente provenientes da costa Atlântica e do mar Mediterrâneo (são vieiras estriadas, conchas lisas de tonalidade róseas, conchas nacaradas e pequenos búzios de cor castanha).
As pedras são geralmente calcárias e retiradas das pedreiras da região, por vezes utilizando o basalto nas linhas de contorno.
Utilizavam-se ainda vidros coloridos encomendados no estrangeiro, sobretudo em Itália, onde a arte do vidro era objeto de culto; vidros esses que pretendiam sugerir pedras raras, como a obsidiana (rocha vidrada negra de origem vulcânica), ou pedras preciosas ou semipreciosas como as turquesas, ágatas, safiras ou esmeraldas.
Quanto às porcelanas, é comum assumir-se que se tratavam do resultado de banquetes, durante os quais os convivas se entretinham a partir o serviço onde haviam comido, muitas vezes tratando-se de porcelana chinesa (Wan-Li, da dinastia Ming).

Entre este jardim e a zona de horta, existe um muro de suporte com cerca de 4 metros de altura, sustentado por contrafortes, paralelamente ao qual temos um outro caminho, que nos permite aceder à casa de fresco, ou gruta de embrechados.

CASA DE FRESCO / GRUTA DE EMBRECHADOS
João Roxas de Azevedo procurou construir um complexo espaço ajardinado, claramente inspirado no jardim dos Médicis.
A gruta de embrechados que remata este conjunto denota algumas semelhanças com a descrição feita por Cosme de Médicis, conde da Toscana, ao Palácio Fronteira, concretamente à casa de fresco que existia no jardim de labirinto, hoje desaparecida:
Diz ele: “ aqui os embrechados combinam-se com azulejos do início do período azul e branco, representando figuras alegóricas, brutescos e cenas mitológicas; em relevo, desenham-se grossas grinaldas de flores e frutos em cerâmica polícroma, à maneira dos medalhões de Luca della Robia.”
 
   
 
   




Horário de inverno (1 de novembro a 31 de março):

2.ª feira a domingo, 08h30-17h00

Horário de verão (1 de abril a 31 de outubro):
2.ª feira a domingo, 08h30-18h00

Encerra aos Feriados.


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