Pátio da Galache Associação de Turismo Militar Português - ATMPT

No antigo palácio da cidade de Vila Franca de Xira ficaram aquarteladas as tropas espanholas do general Carrera, após a retirada dos franceses na 3ª invasão. Aqui pode encontrar um magnífico conjunto de azulejos setecentistas numa alegoria aos quatro antigos continentes. Vale a pena conhecer!

Hoje a funcionar como Lar de Idosos, a Casa Galache que constituiu na sua origem uma casa senhorial, possui os azulejos mais antigos da arte pública de Vila Franca de Xira, produzidos no século XVIII.  Localizados no pátio interior desta casa senhorial, destacam-se nestes azulejos setecentistas os painéis com a representação alegórica dos quatro antigos Continentes (Europa, África, Ásia e América).

A ocupação de Vila Franca pelos franceses em 1810 deixou-a muitíssimo danificada, mas a situação atingiu uma situação assombrosa de estrago e devastação aquando da estadia dos soldados espanhóis da Divisão do General Carrera, que veio substituir La Romana (já muito doente) no comando das tropas espanholas em Portugal.

Este general chega a Vila Franca com as suas tropas após a retirada dos franceses e estabelece o seu quartel-general no antigo palácio da Galache, que funcionava à época como hospedaria. 

A propósito disto, diz-nos Lino de Macedo:
Alguns generais, aquartelados no palácio do pátio da Galacha, em casa da família deste nome, viam impassíveis ao destroço causado pela soldadesca. (…)
Quebravam uma porta ou janela, ainda que nova, fosse só para lhe tirar a ferragem que vendiam a dez réis o arrátel, grades de frestas, janelas, varões de parreiras, tudo roubavam e sem remédio, a queixa aumentava o mal contra o ofendido procurando ocasião de mais o prejudicar; os delinquentes nunca se punirão; só a Justiça Divina os castigou quando nas imediações de Badajoz foram surpreendidos por força superior dos Franceses; com um lanceiro destes brigou por longo tempo o General Carrera até que caiu morto, era forte corpulento, bom cavaleiro, e teria 38 a 40 anos segundo me parecia vendo-o nesta Villa.


Quando aqui se instalam as tropas espanholas de Carrera, João Amaral recorda-se de um aspeto curioso relacionado com a limpeza das ruas que como devemos imaginar, estavam num estado deplorável de sujidade:
Evacuada a Vila pelos Franceses retirando sobre Santarém (Amaral reporta-se aqui a março de 1811) animaram-se alguns a visitarem os prédios urbanos imundos, e exalando fedor que afugentava os habitantes, temendo os mesmos pútridos que infecionavam a povoação; porém considerando ser do seu maior interesse, deliberaram-se a mandá-la fazer não só nas propriedades como no pavimento das ruas atulhadas de imundície.
Lembra-me que o General Carrera em alguns dias ordenou que seus Soldados varressem as ruas; mas como não tivessem vassouras, as supriam indo aos pomares de espinho da Vila de Povos, nos quais desapiedamente colhiam os melhores, me ais frondosos ramos com que varriam as ruas de Vila Franca; esta limpeza bem cara para os donos dos pomares. As lamas se lançavam ou no Ribeiro, ou no Tejo.

(João Amaral, “Ofertas Históricas relativas à povoação de Vila Franca de Xira para Instrução dos Vindouros”, vol. II, pp. 8 e 9)




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